A depressão deprime-me
28 milhões de embalagens de psico-fármacos vendidas em 2008, num país de 10 milhões de habitantes! É trágico!
A depressão é um sintoma e não uma doença. Esta doença pode ser um modo de vida desajustado, um trauma, a exclusão social, simples inadaptação à vida, entre outras. Então a única forma positiva de tratar a depressão é resolver os problemas que estão na sua origem. Entretanto podem-se tomar uns anti-depressivos como paliativos, em casos mais graves ou de resolução morosa. Mas não é isto que se faz em grande parte dos casos (nesse caso o consumo não seria de certeza tão elevado): Na maioria das vezes entende-se o alívio do medicamento como se fosse a cura, o que é gravíssimo, pois passa a haver uma dependência de drogas que vem piorar a vida dos doentes.
Quantos jovens começam a sua idade adulta com muletas psico-activas, perdendo a oportunidade de robustecer o seu carácter? Quantos adultos com idade para ter juízo consomem psico-fármacos como simples forma de se doparem, para enfrentarem uma vida de exigências sobre-humanas, em vez de baixarem o seu ritmo de vida para níveis aceitáveis? Estamos a criar uma sociedade muito doente de alienados, zombies dopados, profundamente infelizes, sem prazer, incapazes duma reacção. Uma sociedade em que cada pessoa é um membro sem capacidade de se auto-gerir, influenciável e manipulado, em que o terapeuta dita as regras e decide quem é feliz. O vazio de cada existência não está a ser preenchido pela procura consequente duma razão para existir, os elos estão-se a quebrar, os mecanismos de auto-satisfação automatizam-se artificialmente. Enche-se a vida de futilidades e para embrulhar tudo mete-se uma pitada de drogas na mistura. Somos humanos ou cobaias num gigantesco laboratório?
Muitas vezes o que é necessário é encarar os problemas, resolvê-los de forma determinada, com dor, com sofrimento, mas definitivamente. Ora quando se tem a consciência alterada por fármacos isso dificilmente acontecerá. Vivam a vida, assumam as vossas opções, encarem a realidade sem drogas, o único tratamento é terem coragem e amor!
E se eu tivesse um destino?
O destino é um desfecho lógico, corolário duma elaborada tese ou de breve antítese. Não sou místico, o destino será simplesmente uma perspectiva da vida. Mas nem todos a exibirão obrigatoriamente. Apenas quando numa vida errática tudo acaba por bater certo, então sim, dizemos “estava destinado”.
Quem incorre na persistência e com todas as forças percorre um caminho, seja ascendente ou de destruição, provavelmente não tem um destino – apesar de o crer. Quem luta uma vida inteira poderá chegar muito longe, mas provavelmente não tem um destino – pelo menos não aquele que pensa. Porque o destino não se faz, acontece.
E sucede tão tragicamente, de forma tão maravilhosa, que no instante em que o reconhecemos, lívidos e chorosos, temos um lampejo de compreensão do que é, na verdade, a vida. Então revisitamos cada episódio duma vivência fragmentada, juntamos os cacos e balbuciamos, babados e ranhosos, que foi o destino.
Há quem diga que todos temos nosso fado, e o fado é uma forma triste de destino, ou de lá chegar. Não se sei se afinal todos o temos. É possível que sim, mas concerteza só poucos o conhecem. Hoje tive um vislumbre de qual poderia ser o meu. Mas ainda falta cumprir, portanto falta tudo, portanto não tenho um.
Mas, e se eu tivesse mesmo um destino? Morreria no instante em que o reconhecesse, feliz e apoplético. Como acontece a todos os que o cumprem: passam a integrar o panteão dos grandes homens, bons ou maus. Mesmo que os seus corpos permaneçam entre nós, existe um abismo vertiginoso que nos separa e nada do que é mundano lhes pode tocar.
O tempo e o espaço I
Introduzi uma nova dimensão, agora vou retirar outra.
Desde há muitos anos que me contraria ter de considerar o tempo como uma dimensão. É demasiado diferente das dimensões espaciais – como a minha por exemplo. E tem a particularidade irritante de não poder ser percorrido no sentido negativo, o que o distingue e afasta das restantes dimensões.
Para que precisamos de tempo? Para separar dois estados diferentes. Se antes um objecto estava em X=(0,0,0) e depois está em Y=(1,0,0), é razoável interpor entre estes dois estados alguma coisa; usamos o tempo para isso. Depois contabilizamos esse tempo pelo número de vezes que outras coisas alteraram a sua posição (da Terra em relação ao Sol) ou outra medida mais precisa mas seguindo a mesma lógica.
Se pensarmos que as deslocações se fazem iterativamente, no entanto, podemos dispensar o tempo como dimensão chave do nosso Universo. Por exemplo, se um ponto se desloca segundo a função
Xi=X(i-1)+(0.5,0,0)
Então serão precisas duas iterações para ir de X a Y. A velocidade, supondo que cada unidade do nosso referencial é ortonormado, é de 50cm/iteração.
Assim compreendemos melhor porque não podemos voltar atrás no tempo: as iterações incidem sobre o estado actual e levam-no ao estado seguinte. Ainda ninguém (que eu tenha conhecimento) conseguiu inverter as iterações do Universo.
Retiro assim uma dimensão ao Universo. Ficamos com as 3 já conhecidas mais a minha.
Novo capítulo
Já apresentei as ideias, relativas à nova dimensão, que tinha quando decidi publicá-las em blog.
Há vislumbres de outras revelações… Gostaria de falar mais sobre fractais e sobre a dimensão destes objectos (como se relaciona com a minha dimensão?), mas falta-me estudo. Assim, não tenho nada consistente para acrescentar ao assunto, neste momento, nem mesmo neste espaço tão pouco fundamentado desde o início.
E agora?
Tenho tido mais ideias e vou falar sobre elas. Talvez não sejam imediatamente sobre a nova dimensão, mas talvez se relacionem afinal.
Inicia-se aqui um novo capítulo.
Cenas do dito? Fórmulas para geração do espaço (verdadeiramente!) real e uma nova visão sobre a dimensão tempo, que exigirá depois a transposição de todos os conceitos físicos para este novo paradigma.
Momentos felizes
Enquanto o pau vai e vem
Folgam as costas
E ponho-me a pensar
Num bater de asas soalheiro
Dou um passeio sem destino
Bem disposto, folgazão
Encosto-me ao burburinho
E adormeço depois do amor
Ainda no primeiro contacto
Em que a verdasca encostada
À pele, sem ferir, permanece
Medito feliz e suspiro
Entre um grito e o seu eco
Ainda nem o sangue brota
Choro de alegria, extasiado
A sonhar mundos futuros
Para quê uma nova dimensão? Parte II.II
Os pontos fronteira de um corpo são de enumeração bastante complicada, como tentei mostrar no exemplo anterior. Mas mesmo os pontos interiores podes sê-lo igualmente.
Imaginemos um copo de vidro a passear no espaço. Se um fotão entretanto atravessar o copo de um lado ao outro sem chegar a ficar lá retido… Penso que nesse caso, mesmo a nível atómico, o fotão não terá qualquer influência no sistema “copo de vidro”: nem na sua temperatura, nem no seu movimento (se estiver errado comentem sff). Então, apesar de estar dentro dos limites da superfície do copo, poderemos afirmar que pertence ao copo?
O sistema “copo de vidro” é um sistema que está definido no nosso mundo.. no nosso Tamanho. Um fotão pertence a outra dimensão de Tamanho. Por isso os dois podem coexistir sem interferência.
Bom, eu próprio não estou muito convencido do que disse, porque realmente há ínumeras interacções entre fotões e átomos. Tomem o exemplo como uma parábola.
Estima-se em aproximadamente 25% a matéria do nosso universo que ainda não foi descoberta. É uma larga porção do universo, sobre a qual ninguém ainda pôs a vista em cima! Essa nossa cegueira permite-me especular: poderá ser matéria que simplesmente não interage (directamente) com esta nossa dimensão Tamanho. Partículas não organizadas em átomos, que passam pelos aparelhos dos nossos cientistas, pelos átomos do meu corpo, e por todo este nosso mundo, que simplesmente são demasiado infinitesimais para alguém ou algo as detectar. Se esta matéria existir, e se estiver dentro do nosso copo de vidro, não poderemos dizer que pertence ao copo, pois não interage com ele. Está no copo nas dimensões de espaço-tempo, mas não está no copo na dimensão Tamanho. Atravessá-lo-à sem nunca lá ter estado. Como não estaria a água se apenas chegasse àquela posição uma hora depois do copo lá ter passado.
Eis então um caso em que a dimensão Tamanho é (ou será… ou seria) necessária para caracterizar um sistema.
PS: Entretanto estudei mais um pouco e tomei conhecimento da existência do neutrino. A cada segundo, muitos triliões de neutrinos chegam à Terra. Mas poucos ficam por cá: praticamente todos a atravessam sem qualquer interacção. Calculou-se que a sua massa seja 1/10 000 000 a do electrão, já de si insignificante. Serve assim esta partícula para substituir o fotão do exemplo que dei aqui; E o copo de vidro pode ser substituído pelo planeta Terra!
Sobe o pano
Para ver, pagas bilhete e sentas-te na bancada; Para viver, sobes ao palco e participas no espectáculo.
Há um improviso constante a decorrer no proscénio infinito. E uma algazarra de Revista no centro da cena. Aos poucos vais-te embrenhando no arraial, descobres mais e mais colegas desempenhando o seu papel. Vês um cenário grandioso à tua volta… A alguns passos de ti reparas que tem mais cor, recebe mais luzes dos projectores e onde a acção flui mais animada. As luzes… as brancas tão alvas!, as coloridas tão envolventes! Que destaque tomam na oposição às trevas da plateia que não vês! Como se Deus fosse o espectador e as luzes o nosso caminho para Ele. A luz enebria, enleva-te, dilui-te na massa de gente que contracena e se acotovela gritando. Nínguem segue o guião inexistente, todos inventam as suas deixas inspirados ao momento pelo êxtase do palco. Entras na convulsão, estendes as mãos e gesticulas. Num passo de magia, inventaste um papel para ti, sentes-te parte da história, um personagem como os outros que procuram luz e aplausos.
Lembras-te donde vieste? Jamais lá voltarás.
Olha
Olha
Flora que destruímos
Animais que matamos
Tanto sangue, tão infames!
Olha
Mares que poluímos
Peixe que intoxicamos
Tantos loucos, tão insanes
Refrão
Olha à tua volta
Vê a destruição
O céu já sem beleza
Espelhando o betãoOlha para ti
Não te sentes um pouco mal
Amando a Natureza
Serás mais racional
Olha
Desertos que se expandem
Glaciares a derreter
Tantos gritos, tanto muro
Olha
Venenos que se vendem
A gente a sofrer
Tanta cria sem futuro
Refrão
Olha à tua volta
Vê a destruição
O céu já sem beleza
Espelhando o betãoOlha para ti
Não te sentes um pouco mal
Amando a Natureza
Serás mais racional
Para quê uma nova dimensão? Parte II.I
A grande ciência dos dias de hoje é feita nos limites do nosso mundo: no infinitamente grande ou no infinitamente pequeno. As fronteiras do conhecimento estão antes dos átomos, nos quarks ou bosões estudados em velocidades aproximadas à da luz, e depois das galáxias, a alguns milhões de anos-luz de distância. As leis vão-se especializando, e complicando, à medida que o conhecimento avança e fica mais detalhado. A 2ª lei de Newton foi aceite e usada com estrondoso sucesso até que Einstein acrescentou que tal só seria grosseiramente aceitável para velocidades reduzidas… como as que encontramos no quotidiano. Por estes dias já se questiona a Teoria da Relatividade em casos particulares… ainda mais particulares dos que as excepções que Einstein encontrou que fugiam às leis de Newton.
Serve este intróito para justificar o próximo exemplo de como a dimensão tamanho é necessária para alguns casos muito pormenorizados.
Em toda a Física se fala em partículas e em corpos. As partículas são uma abstracção e não existem. Os corpos são analisados como tendo uma superfície regular e passível de descrição matemática que é uma abstracção e não existe.
Quando vejo futebol no estádio, a bola parece-me perfeitamente redonda, mas para um jogador no campo essa bola é afinal um icosaedro truncado (embora duvide que ele saiba isso). De qualquer das formas, a área da bola é ainda bastante fácil de calcular. Mas analisando mais de perto, as costuras são bastante irregulares e usando um microscópio vemos que a superfície da bola é afinal um terreno bastante acidentado.
Como calcular a área nesta situação? E se complicarmos mais?: Se virmos ao nível atómico, como calculamos a superfície? Unindo os átomos que estão à superfície com uma linha imaginária? Mas quais são os átomos que estão à superfície? E se tivermos dois átomos devemo-los unir directamente ou passar por algum outro que esteja ao meio mas mais no interior? Talvez o melhor seja considerar a superfície da bola como a superfície de cada um dos átomos que a constitui? Boa, então vamos passar ao cálculo da área do átomo e entrar novamente no ciclo que nos levará ao cálculo da área do electrão e do protão e depois dos seus constituintes e… nunca mais conseguimos sair deste problema. Daqui surge a expressão “Ora bolas”…
A conclusão é que temos sempre de “arredondar”. E, caros leitores, chega de idealizar: Os arredondamentos, as simplificações, fazem parte da própria ciência. São uma ferramenta imprescindível na análise de qualquer sistema. São um dado de qualquer sistema,! fazem parte da sistematização!
Quando se estuda o movimento duma bola no campo de futebol, não interessa assim tanto se é irregular a nível atómico, claro. Se estudarmos o comportamento químico (por exemplo a resistência ao desgaste) da bola, aí as moléculas interessam bastante e logo também os seus átomos. O que temos de definir à partida, é: Qual a Dimensão do sistema que vamos estudar. Qual o Tamanho do nosso objecto de estudo. E é aqui que entra a nova dimensão, como uma variável do sistema.