Olá mundo!
Já desde a infância escrevia a data em locais onde sabia que só em dia incerto voltaria, por uma necessidade de marcar o tempo. Gosto de me olhar através de janelas temporais. Tenho n locais onde me disse adeus e onde irei um dia para receber esse aceno. É uma mania que ganhei do meu avô, um português muito melancólico, paradoxal, com uma simplicidade sagaz só existente nos humildes.
Desde os 14 anos escrevo notas soltas sobre a vida, para me entender, como catarse duma preplexidade existencialista. As opções são tomadas tão no âmago dos nossos pensamentos, mas são tão públicas as suas manifestações! Andamos nus e todas as nossas insuficiências nos podem humilhar se não forem plenamente assumidas – mesmo que em privado, mesmo que num papel esquecido. Escrever educa a mente: torna-a metódica, arrumada, obriga-a a enfrentar e a confrontar a realidade. Se então não somos sinceros, para sempre e em todo o lado seremos fingidores.
Esses são textos destinados a apodrecerem no fundo da gaveta só raramente visitada, com muito prazer. Agora inauguro uma nova fase: escrever num Blog. Existe muito em comum entre um Blog e as folhas soltas que escrevi e fui guardando. É um pano de retalhos que se entrelaçam, com matizes e motivos diversos. Nem sei porque não fui mais persistente em desenvolver um (já comecei vários). Adequa-se perfeitamente à minha escrita testemunhal, de breves reflexões, de tomada de notas. E trabalho com sites e aplicações web, pela qual nutro imensa simpatia e esperança de que seja uma ponte entre todas as pessoas duma sociedade fraterna. Estou no meu mundo, então!
Desta feita vou em frente. Vou persistir. Vou construír um quarto só meu, onde as paredes e os armários estão cheios de tinta escorrida, de mim, introspectivamente.