Pontos de Vista

Num dos dramáticos momentos da tv, a raposa come um ganso bebé. Estamos em família a ver a série de vida selvagem e a minha filha assiste constrangida ao momento.

A minha mãe começa a dizer “tadinho”, para a Eunice, afligindo-a ainda mais. Eu fico constrangido e penso que a criança ficará traumatizada para toda a vida depois de assistir à matança. De repente estamos todos abalados com esta cena, tão banal em toda a Natureza.

Então falo: «Olha, a raposa está a papar! É, a Nice também come a papinha, pois comes? É muita bom! Para ficares graaannddeee! Arrmnhhh!». E pronto, o ambiente desanuviou um bocado.

Na Natureza há quem coma e quem seja comido. Neste esquema tão complexo lamento em primeiro lugar as plantas, que são unicamente vítimas. De resto todos os seres comem e são comidos e atrevo-me a dizer que ainda bem, pois sou um apaixonado pela Natureza. Mesmo as plantas necessitam dos animais que as comem, para que o oxigénio seja consumido e o dióxido de carbono libertado.

A Nice ao ver aquela cena brutal ficou genuinamente impressionada. Mas duvido que estivesse a tecer juízos de valor. A minha mãe aumentou o impacto da situação ao colocar-se no lugar da vítima, transmitindo a sua dor. Penso que bastante melhor é o lugar do predador e foi a sua satisfação que tentei transmitir à minha filha.

O mundo é bárbaro sim, precisamente por isso convém vê-lo duma forma construtiva e positiva. E forte. Não quero que a minha filha se coloque no papel de vítima; Quero que se veja no papel activo, de quem está a sobreviver.

Nada mudou na morte da ave nem na vida do mamífero. Mas espero que alguma coisa tenha mudado na mentalidade da minha filhota, para melhor.

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