Olha

Olha
Flora que destruímos
Animais que matamos
Tanto sangue, tão infames!

Olha
Mares que poluímos
Peixe que intoxicamos
Tantos loucos, tão insanes

Refrão

Olha à tua volta
Vê a destruição
O céu já sem beleza
Espelhando o betão

Olha para ti
Não te sentes um pouco mal
Amando a Natureza
Serás mais racional

Olha
Desertos que se expandem
Glaciares a derreter
Tantos gritos, tanto muro

Olha
Venenos que se vendem
A gente a sofrer
Tanta cria sem futuro

Refrão

Olha à tua volta
Vê a destruição
O céu já sem beleza
Espelhando o betão

Olha para ti
Não te sentes um pouco mal
Amando a Natureza
Serás mais racional

Para quê uma nova dimensão? Parte II.I

A grande ciência dos dias de hoje é feita nos limites do nosso mundo: no infinitamente grande ou no infinitamente pequeno. As fronteiras do conhecimento estão antes dos átomos, nos quarks ou bosões estudados em velocidades aproximadas à da luz, e depois das galáxias, a alguns milhões de anos-luz de distância. As leis vão-se especializando, e complicando, à medida que o conhecimento avança e fica mais detalhado. A 2ª lei de Newton foi aceite e usada com estrondoso sucesso até que Einstein acrescentou que tal só seria grosseiramente aceitável para velocidades reduzidas… como as que encontramos no quotidiano. Por estes dias já se questiona a Teoria da Relatividade em casos particulares… ainda mais particulares dos que as excepções que Einstein encontrou que fugiam às leis de Newton.
Serve este intróito para justificar o próximo exemplo de como a dimensão tamanho é necessária para alguns casos muito pormenorizados.

Em toda a Física se fala em partículas e em corpos. As partículas são uma abstracção e não existem. Os corpos são analisados como tendo uma superfície regular e passível de descrição matemática que é uma abstracção e não existe.
Quando vejo futebol no estádio, a bola parece-me perfeitamente redonda, mas para um jogador no campo essa bola é afinal um icosaedro truncado (embora duvide que ele saiba isso). De qualquer das formas, a área da bola é ainda bastante fácil de calcular. Mas analisando mais de perto, as costuras são bastante irregulares e usando um microscópio vemos que a superfície da bola é afinal um terreno bastante acidentado.
Como calcular a área nesta situação? E se complicarmos mais?: Se virmos ao nível atómico, como calculamos a superfície? Unindo os átomos que estão à superfície com uma linha imaginária? Mas quais são os átomos que estão à superfície? E se tivermos dois átomos devemo-los unir directamente ou passar por algum outro que esteja ao meio mas mais no interior? Talvez o melhor seja considerar a superfície da bola como a superfície de cada um dos átomos que a constitui? Boa, então vamos passar ao cálculo da área do átomo e entrar novamente no ciclo que nos levará ao cálculo da área do electrão e do protão e depois dos seus constituintes e… nunca mais conseguimos sair deste problema. Daqui surge a expressão “Ora bolas”…

A conclusão é que temos sempre de “arredondar”. E, caros leitores, chega de idealizar: Os arredondamentos, as simplificações, fazem parte da própria ciência. São uma ferramenta imprescindível na análise de qualquer sistema. São um dado de qualquer sistema,! fazem parte da sistematização!

Quando se estuda o movimento duma bola no campo de futebol, não interessa assim tanto se é irregular a nível atómico, claro. Se estudarmos o comportamento químico (por exemplo a resistência ao desgaste) da bola, aí as moléculas interessam bastante e logo também os seus átomos. O que temos de definir à partida, é: Qual a Dimensão do sistema que vamos estudar. Qual o Tamanho do nosso objecto de estudo. E é aqui que entra a nova dimensão, como uma variável do sistema.

Tu ou Você?

Até há pouco tempo, a utilização do “tu” ou do “você” no tratamento pessoal era para mim apenas uma forma de distinção social. Nessa perspectiva, desdenhava o “você”, vendo-o como um tratamento sobranceiro e diferenciador. Pensava que essa era uma forma de distanciar as pessoas e que tal era desprezível. Após uma análise mais cuidada, no entanto, mudei de opinião.

Penso que a língua portuguesa é muito complicada e um dos piores pesadelos é a conjugação verbal. Se tratássemos toda a gente por você, a 2ª pessoa do singular seria obliterada. Um ganho excelente! Mas não era apenas essa a vantagem, pois haveria um importantíssimo ganho em coerência, a qual eu prezo imenso!:
No tratamento plural, já nínguem usa a 2ª pessoa a não ser enfaticamente. Por curiosidade, neste caso é o tratamento na 2ª pessoa que adquire um tom mais formal e distanciador: o “vós” é reservado ao apaparicamento das individualidades enquanto que o vocês é aplicado a pessoas sem pedestal. Não vejo nenhuma razão para no plural se usar comumente a 3ª pessoa e no singular a 2ª pessoa. Penso que todos os que advogam a utilização do “tu” com os próximos os deveriam passar a tratar por “vós” quando reunidos. Ou então, deveriam privilegiar o “você” e o “vocês”, por congruência, que foi o que eu passei a fazer.

Assim, a conjugação dos verbos resumir-se-ia apenas a “eu, ele, nós, eles”. Simples e fácil! Uma erradicação limpa dos quebra-cabeças (“trato por tu ou por você?”) na conversação entre pessoas! Uma aproximação a outros povos falantes da língua portuguesa que já não usam esta conjugação!

Não passei a tratar toda a gente por você nem conseguiria, mas espero que em duas ou três gerações o você se generalize. Seria óptimo.

A propósito desta questão, e porque está em discussão o acordo ortográfico, tenho a dizer sobre este assunto que sou a favor dum acordo ortográfico entre todos os lusófanos, mas não sei se estou a favor deste acordo ortográfico. Parece-me um acordo disparatado nalgumas questões básicas, que não vem simplificar a gramática e que vamos continuar a ter imensas excepções às regras – pormenores que concerteza serão o pesadelo das pessoas que como eu tentam escrever decentemente sem um prontuário à mão. Não me importo de fazer cedências a todos os lusófanos de outros países, mas por favor simplifiquem e mantenham a gramática regular!