E se eu tivesse um destino?

O destino é um desfecho lógico, corolário duma elaborada tese ou de breve antítese. Não sou místico, o destino será simplesmente uma perspectiva da vida. Mas nem todos a exibirão obrigatoriamente. Apenas quando numa vida errática tudo acaba por bater certo, então sim, dizemos “estava destinado”.

Quem incorre na persistência e com todas as forças percorre um caminho, seja ascendente ou de destruição, provavelmente não tem um destino – apesar de o crer. Quem luta uma vida inteira poderá chegar muito longe, mas provavelmente não tem um destino – pelo menos não aquele que pensa. Porque o destino não se faz, acontece.

E sucede tão tragicamente, de forma tão maravilhosa, que no instante em que o reconhecemos, lívidos e chorosos, temos um lampejo de compreensão do que é, na verdade, a vida. Então revisitamos cada episódio duma vivência fragmentada, juntamos os cacos e balbuciamos, babados e ranhosos, que foi o destino.

Há quem diga que todos temos nosso fado, e o fado é uma forma triste de destino, ou de lá chegar. Não se sei se afinal todos o temos. É possível que sim, mas concerteza só poucos o conhecem. Hoje tive um vislumbre de qual poderia ser o meu. Mas ainda falta cumprir, portanto falta tudo, portanto não tenho um.

Mas, e se eu tivesse mesmo um destino? Morreria no instante em que o reconhecesse, feliz e apoplético. Como acontece a todos os que o cumprem: passam a integrar o panteão dos grandes homens, bons ou maus. Mesmo que os seus corpos permaneçam entre nós, existe um abismo vertiginoso que nos separa e nada do que é mundano lhes pode tocar.

O tempo e o espaço I

Desde há muitos anos que me contraria ter de considerar o tempo como uma dimensão. É demasiado diferente das dimensões espaciais – como a minha por exemplo. E tem a particularidade irritante de não poder ser percorrido no sentido negativo, o que o distingue e afasta das restantes dimensões.

Para que precisamos de tempo? Para separar dois estados diferentes. Se antes um objecto estava em X=(0,0,0) e depois está em Y=(1,0,0), é razoável interpor entre estes dois estados alguma coisa; usamos o tempo para isso. Depois contabilizamos esse tempo pelo número de vezes que outras coisas alteraram a sua posição (da Terra em relação ao Sol) ou outra medida mais precisa mas seguindo a mesma lógica.
Se pensarmos que as deslocações se fazem iterativamente, no entanto, podemos dispensar o tempo como dimensão chave do nosso Universo. Por exemplo, se um ponto se desloca segundo a função

Xi=X(i-1)+(0.5,0,0)

Então serão precisas duas iterações para ir de X a Y. A velocidade, supondo que cada unidade do nosso referencial é ortonormado, é de 50cm/iteração.

Assim compreendemos melhor porque não podemos voltar atrás no tempo: as iterações incidem sobre o estado actual e levam-no ao estado seguinte. Ainda ninguém (que eu tenha conhecimento) conseguiu inverter as iterações do Universo.

Poderíamos assim uma dimensão ao Universo, ficando com as 3 já conhecidas mais a Dimensão Tamanho?