FMI

Sinto uma tremenda frustração e bastante vergonha por fazer parte da História de Portugal neste momento de claudicação nacional. A vinda do FMI é a assunção da incapacidade de nos governarmos por nós próprios. Raras vezes fomos bons nessa arte, mas em ainda menos datas descemos a um nível tão deplorável de desorientação.

É verdade que somos hoje presas enjauladas depois duma caçada financeira montada pelos mercados, como jamais a Humanidade assistiu. Mas nunca o mundo foi um lugar fácil para se desenvolver uma história de nove séculos e se os nossos antepassados souberam enfrentar os inimigos também nós temos essa responsabilidade – agora falhada.

Os políticos são culpados por esta crise e deveriam pagá-la bem caro. Inacreditavelmente, segundo as sondagens os “Socialistas” ainda deverão eleger deputados e até têm hipóteses de ganhar as eleições. Ao serem de novo apoiados pelo voto, a única responsabilidade ficará então neste povo estúpido e reles.

São vários os níveis de responsabilidade deste povo estúpido e reles:
– Elegeu os políticos estúpidos e reles (no mínimo), dando cobertura a todo o rol de políticas erradas que nos trouxeram o descalabro;
– Endividou-se para lá do sensato (e do honesto);
– Rejeitou tenazmente qualquer apelo ao bom senso na utilização dos recursos disponíveis (carros e quilómetros a mais, 2ªas habitações, compra escusada de produtos importados, pouca adesão à ecologia, desordenamento do território, …);
– Teve falta de cidadania, de ação e até de interesse, bem como uma dececionante capacidade de ver mais de um palmo à frente do nariz.

Compreendo bem os povos Europeus que não nos querem emprestar dinheiro. Eles pedalam em bicicletas, preservam bem os seus recursos, são cidadãos bons e ativos, sabem governar-se e não reelegem políticos falhados. Porque raio hão-de arriscar agora o seu dinheiro, que tanto lhes custa a preservar, a uma cambada de inaptos preguiçosos (nem para votar num referendo levantamos a peida do sofá, +50% de abstenção), apoiando a nossa mediocridade? Só o farão na medida em que o nosso falhanço os comprometer – e isso acontecerá por causa da moeda que temos em comum.

Chego a desejar que ninguém nos empreste dinheiro. Já gastámos milhões das reservas de ouro do Estado Novo, já mandaram milhões da CEE, já mandaram milhões em empréstimos, queremos agora os milhões do FMI?! Enquanto não existirem cidadania, discernimento, dignidade e coragem neste país, podem torrar em Portugal o dinheiro que quiserem: vamos continuar a afundar-nos. São estes os valores de que precisamos, não dos que o FMI nos traz.

Venha a crise, um terrível e exemplar “abre-olhos” para os Portugueses. Se aprendermos a lição e nos tornarmos a partir daqui em cidadãos de nível europeu, rigorosos na escolha dos nossos políticos e investimentos, abençoarei esta crise. FMI, rua! Chamem antes a Unicef.

2 thoughts on “FMI

  1. tiago diz:

    o sobre este assunto.
    Men! o ultimo post foi em outubro. O que é q estás à espera, do pai Natal ?
    Tiago

  2. Oh campino, a tua última posta (e tenho a ligação ao sítio ali na coluna direita) data de 2008. Como é?

    Mas vá, queres mais? Toma lá o teu pampilho:
    http://pampilho.blogs.sapo.pt

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