O crescimento económico

Não há valor tão universal nos nossos tempos como este: O crescimento económico. Não há dogma mais empedernido do que este: É preciso crescer economicamente.

Este credo varre a humanidade de Oriente a Ocidente e todos os estratos sociais o glorificam. É o Pai-Nosso na boca dos políticos, sejam da esquerda ou da direita, mas também os jornalistas, analistas e economistas o pregam às massas.

É um dogma tão fundamental que, a ser desacreditado, faria ruir toda a edificação da moral vigente e deixaria este mundo desalmado sem o seu único deus. Traz atrás de si todos os modelos de desenvolvimento e falhar neste compromisso acarreta uma regressão apocalítica: a fome, o desemprego, o colapso da proteção social e do sistema de saúde, gerações perdidas, o atraso e subordinação do país de cada um aos países de outros, a guerra provável por certo perdida…

Na cegueira provocada pelo brilho deste altar há valores perdidos; Há mundos destruídos. Há tanta voragem, tanto desequilíbrio, que o problema deixou de ser social ou humanitário: é uma questão de sobrevivência da vida no planeta. Nós somos as mestátases, que se espalham inexoravelmente até levar à morte o corpo em que nasceram. Consumimos tudo, multiplicamo-nos até à extinção, descontrolados e patogénicos.

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