Reescrevendo 2 conhecidas sentenças e introduzindo 2 adivinhas

Dizia Sócrates: “Só sei que nada sei”. Frase bonita e que fica na memória das pessoas, ainda milénios depois. Mas contém em si uma falsidade, pois ao saber que nada sabia, Sócrates já sabia uma coisa. Apesar de perceber que se tratou dum artifício linguístico, custa-me muito pensar que este grande amante da sabedoria e opositor dos falaciosos Retóricos ficou célebre na História com uma estrondosa contradição.
Deveria antes ter dito que só sabia uma coisa. Por lógica elementar, deduziríamos imediatamente que, só sabendo uma coisa, o que sabia era precisamente que só sabia uma coisa; E que nada mais conhecia de qualquer outro assunto.
Portanto, a partir de hoje o dito deverá ser “Só sei uma coisa“. A partir deste raciocínio pode-se ainda tirar uma adivinha: “Só sei uma coisa, qual é ela? Isto mesmo“.

E que tal a afirmação “Não há regra sem exceção”? É claro que se trata duma regra, portanto terá uma exceção. Ou seja, haverá pelo menos uma regra sem exceção. Entrámos em contradição, a sabedoria popular tem-nos ensinado uma falsidade!
Deveria antes ser dito que só há uma regra sem exceção. Mais uma vez pela lógica, terá de ser ela própria a única regra sem exceção. Não sendo esta lógica tão elementar, elaborá-la-ei um pouco mais: “Só há uma regra sem exceção”; Imaginemos que a regra sem exceção era outra, então a regra inicial tem pelo menos uma exceção; Qual poderá ser a exceção a “Só há uma regra sem exceção”? Não haver regra sem exceção, já vimos que é uma contradição, logo a única exceção possível é haver outra(s) regra(s) sem exceção, mas então haveria mais de uma regra sem exceção, o que contradiz a hipótese; QED.
Portanto, a partir de hoje o dito deverá ser “Só há uma regra sem exceção“. A partir deste raciocínio pode-se ainda tirar uma adivinha: “Só há uma regra sem exceção, qual é ela? Esta mesma.“.

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FMI

Sinto uma tremenda frustração e bastante vergonha por fazer parte da História de Portugal neste momento de claudicação nacional. A vinda do FMI é a assunção da incapacidade de nos governarmos por nós próprios. Raras vezes fomos bons nessa arte, mas em ainda menos datas descemos a um nível tão deplorável de desorientação.

É verdade que somos hoje presas enjauladas depois duma caçada financeira montada pelos mercados, como jamais a Humanidade assistiu. Mas nunca o mundo foi um lugar fácil para se desenvolver uma história de nove séculos e se os nossos antepassados souberam enfrentar os inimigos também nós temos essa responsabilidade – agora falhada.

Os políticos são culpados por esta crise e deveriam pagá-la bem caro. Inacreditavelmente, segundo as sondagens os “Socialistas” ainda deverão eleger deputados e até têm hipóteses de ganhar as eleições. Ao serem de novo apoiados pelo voto, a única responsabilidade ficará então neste povo estúpido e reles.

São vários os níveis de responsabilidade deste povo estúpido e reles:
– Elegeu os políticos estúpidos e reles (no mínimo), dando cobertura a todo o rol de políticas erradas que nos trouxeram o descalabro;
– Endividou-se para lá do sensato (e do honesto);
– Rejeitou tenazmente qualquer apelo ao bom senso na utilização dos recursos disponíveis (carros e quilómetros a mais, 2ªas habitações, compra escusada de produtos importados, pouca adesão à ecologia, desordenamento do território, …);
– Teve falta de cidadania, de ação e até de interesse, bem como uma dececionante capacidade de ver mais de um palmo à frente do nariz.

Compreendo bem os povos Europeus que não nos querem emprestar dinheiro. Eles pedalam em bicicletas, preservam bem os seus recursos, são cidadãos bons e ativos, sabem governar-se e não reelegem políticos falhados. Porque raio hão-de arriscar agora o seu dinheiro, que tanto lhes custa a preservar, a uma cambada de inaptos preguiçosos (nem para votar num referendo levantamos a peida do sofá, +50% de abstenção), apoiando a nossa mediocridade? Só o farão na medida em que o nosso falhanço os comprometer – e isso acontecerá por causa da moeda que temos em comum.

Chego a desejar que ninguém nos empreste dinheiro. Já gastámos milhões das reservas de ouro do Estado Novo, já mandaram milhões da CEE, já mandaram milhões em empréstimos, queremos agora os milhões do FMI?! Enquanto não existirem cidadania, discernimento, dignidade e coragem neste país, podem torrar em Portugal o dinheiro que quiserem: vamos continuar a afundar-nos. São estes os valores de que precisamos, não dos que o FMI nos traz.

Venha a crise, um terrível e exemplar “abre-olhos” para os Portugueses. Se aprendermos a lição e nos tornarmos a partir daqui em cidadãos de nível europeu, rigorosos na escolha dos nossos políticos e investimentos, abençoarei esta crise. FMI, rua! Chamem antes a Unicef.

Tu ou Você?

Até há pouco tempo, a utilização do “tu” ou do “você” no tratamento pessoal era para mim apenas uma forma de distinção social. Nessa perspectiva, desdenhava o “você”, vendo-o como um tratamento sobranceiro e diferenciador. Pensava que essa era uma forma de distanciar as pessoas e que tal era desprezível. Após uma análise mais cuidada, no entanto, mudei de opinião.

Penso que a língua portuguesa é muito complicada e um dos piores pesadelos é a conjugação verbal. Se tratássemos toda a gente por você, a 2ª pessoa do singular seria obliterada. Um ganho excelente! Mas não era apenas essa a vantagem, pois haveria um importantíssimo ganho em coerência, a qual eu prezo imenso!:
No tratamento plural, já nínguem usa a 2ª pessoa a não ser enfaticamente. Por curiosidade, neste caso é o tratamento na 2ª pessoa que adquire um tom mais formal e distanciador: o “vós” é reservado ao apaparicamento das individualidades enquanto que o vocês é aplicado a pessoas sem pedestal. Não vejo nenhuma razão para no plural se usar comumente a 3ª pessoa e no singular a 2ª pessoa. Penso que todos os que advogam a utilização do “tu” com os próximos os deveriam passar a tratar por “vós” quando reunidos. Ou então, deveriam privilegiar o “você” e o “vocês”, por congruência, que foi o que eu passei a fazer.

Assim, a conjugação dos verbos resumir-se-ia apenas a “eu, ele, nós, eles”. Simples e fácil! Uma erradicação limpa dos quebra-cabeças (“trato por tu ou por você?”) na conversação entre pessoas! Uma aproximação a outros povos falantes da língua portuguesa que já não usam esta conjugação!

Não passei a tratar toda a gente por você nem conseguiria, mas espero que em duas ou três gerações o você se generalize. Seria óptimo.

A propósito desta questão, e porque está em discussão o acordo ortográfico, tenho a dizer sobre este assunto que sou a favor dum acordo ortográfico entre todos os lusófanos, mas não sei se estou a favor deste acordo ortográfico. Parece-me um acordo disparatado nalgumas questões básicas, que não vem simplificar a gramática e que vamos continuar a ter imensas excepções às regras – pormenores que concerteza serão o pesadelo das pessoas que como eu tentam escrever decentemente sem um prontuário à mão. Não me importo de fazer cedências a todos os lusófanos de outros países, mas por favor simplifiquem e mantenham a gramática regular!

Manifesto Chatista – A cratera alastra

A cratera causada pelo impacto causado pelo Manifesto Chatista continua a alargar. Desta vez foram os Gato Fedorento que se atiraram para lá, com o humor, inteligência e parvoíce habituais.

http://videos.sapo.pt/qSyqotZYrUuoy9ZAeyFf

Já antes tinham feito uma rábula de certa forma semelhante. Descobri isto agora:

http://gatofedorento.blogspot.com/2003_09_14_gatofedorento_archive.html

Bom, espero que nínguem vá pensar que eu ando a copiar ideias destes tipos. Já o oposto… hmm…

🙂

Posta ambientalista

O novo milénio tem assistido ao aparecimento de duas tendências sociais com uma popularidade antes inexistente. São fenómenos já com décadas, mas que agora emergem para o primeiro plano da actualidade.
O Ciber-Activismo tem uma força cada vez maior e alia-se a outras formas de reivindicação mais tradicionais como um campo de luta imprescindível. Qualquer campanha hoje, que seja pensada para ter impactos globais, terá no ciberespaço um meio de propagação fundamental. À medida que todo o mundo se integra numa nova dimensão tecnológica, passando a dispôr de emails e sítios na web, passam a haver outras portas para bater quando se trata de entregar uma lista de exigências. Os Ciber-Activistas, entre os quais humildemente me incluo, unem-se e mexem-se através de blogs, sítios, petições online, emails em cadeia.
A Ecologia aparece agora nos locais mais insuspeitos. Meios de comunicação sempre atentos a prevaricações ambientais, campanhas publicitárias que fazem sobressair as preocupações de poupança de combustíveis, governos que tentam levar a mudança de comportamentos a países prepotentes, escolas que falam com os alunos sobre a importância do respeito pela Natureza… A Ecologia veio para ficar entre nós e espero que duma forma cada vez mais primordial. Os Ecologistas, entre os quais humildemente me incluo, vêem finalmente a sua paixão reconhecida, apoiada, entendida como fundamental, e deixaram de ser uns tipos absurdos que estão sempre do contra.

Decidi alinhar no Dia de Acção para Blogs. Porque há muitas mentalidades a mudar, porque sou participativo, porque não custa nada, porque o alerta tem de continuar a soar bem alto e em todo o lado. Porque está em sintonia comigo e com as tendências das novas modas (destas eu gosto eh).

Manifesto Chatista

As sociedades estão a tornar-se cada vez mais individualizadas e a maior parte dos indivíduos não tem qualquer tipo de mobilização ideológica. Os poucos sujeitos que ainda idealizam encontram-se cada vez mais sós e inertes, esmagados pela multidão de estéreis mentais.
As colectividades perdem poder e as ideias reformadoras e revolucionárias dissolvem-se na inércia. No lugar destas sucedem-se as empresas e corporações despidas de preocupações sociais e focadas no lucro.

Adormecidos em mantos de bem-estar e consumismo, os indivíduos são indiferentes aos alertas lançados pelos poucos que mantêm os olhos abertos, os que vêem perigos aproximarem-se. Mesmo que uma parte ainda consciente da mente humana oiça o alarme já tonitruante, perferem as massas ficar no conforto e na indiferença, dissolvendo a responsabilidade num todo inimputável.

Torna-se por tudo isto imprescindível uma acção dissidente, de pequenos grupos ou solitária. Pela generalização dos pequenos focos, se tornará então evidente a necessidade duma mudança global.

O objectivo do Movimento Chatista é tornar a vida dos que andam à deriva desconfortável nas más opções, de modo que se mantenham conscientes das suas acções, tornando a pró-actividade e a assunção das responsabilidades numa postura preferível. Os alvos são as pessoas que adiam uma postura responsável e as empresas que lucram com o desrespeito.
Os meios são os actos que, sem serem crime, interferem com a passividade dos elementos adormecidos da sociedade, fazendo com que percam a paciência, o tempo, a compustura estudada;
Não é um objectivo deste Movimento castigar nínguem, nem vingar, nem tomar acções focadas no passado. O objectivo é antes fazer com que as condições que no passado fizeram as más opções preferidas, sejam no futuro alteradas e se tornem antes propícias à mudança. Para que o facilitismo deixe de ser uma opção fácil; Para que o idealismo combativo seja a opção apetecida.